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  • Foto do escritorGuilherme Beraldo

O Brasil Adolescente


Estou certo de que o Brasil é adolescente.


Refletindo nos últimos tempos, pensei na analogia das fases do desenvolvimento humano como possibilidade de enxergar a sociedade de um país.


Mesmo tendo em conta que sociedades são heterogêneas, e que toda generalização é burra e arriscada, é possível olhar para o retrato atual de um povo e compará-lo a um indivíduo.


Sendo assim, “estamos” adolescentes. Explico. A adolescência é o período do desenvolvimento humano no qual nos encontramos com um pé no mundo da infância e outro - ainda titubeante - no mundo adulto. O conflito é evidente.


De um lado temos a segurança proporcionada pelos nossos pais e a impossibilidade (muitas vezes prazerosa) de fazer as próprias escolhas. Não há riscos, mas a liberdade é limitada.


Do outro, o desejo por fazer o que quiser (muitas vezes indo aos limites para chocar e dizer “eu posso”), contrastando com a dificuldade em sair da sombra dos pais e da inerente sensação de segurança.


Quero ser livre, mas tenho medo. Quero experimentar, mas não quero pagar o preço. Quero ser adulto, mas adoro ser criança.


Como nação estamos simbolizados pelo adolescente rebelde. Queremos gozar a liberdade da vida (de preferência sem máscaras e na multidão), mas não queremos pagar o preço de como chegar lá.


É desafiar o instituído, burlar recomendações, negar qualquer perigo e fazer o que bem entender. Ninguém manda em mim!


É a expectativa infantil de ter o que eu quero (agora, já!) mas me rebelar, bater o pezinho e fugir de casa dizendo-se injustiçado porque não nos é permitido.


Dessa analogia deriva a esperança por uma solução mágica: papai ou mamãe vão dar um jeito. Explica muito do que vemos por aí. Teorias da conspiração, complôs mirabolantes, e a figura do salvador que virá - ou que já está aí.


“O tempo vai passar e a adolescência chegará ao fim”, diriam uns. Discordo. Vejo adultos comportando-se como adolescentes/crianças o tempo todo.


Não existe processo de amadurecimento que se dê sozinho. É preciso produzi-lo. O tempo não faz nada, só lhe dá mais oportunidades para fazer acontecer.


Vale para pessoas, vale para nações.

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