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  • Foto do escritorGuilherme Beraldo

A Abordagem Existencial



Uma das primeiras perguntas que um cliente faz, quando procura ou ouve falar de um psicólogo, é sobre a sua abordagem teórica. Mas o que isso significa?

Antigamente também conhecidas por "linhas" da Psicologia, uma abordagem teórica, e consequentemente terapêutica, permite um embasamento, um quadro de referência para que o profissional compreenda as demandas de seu paciente e também defina objetivos para o processo da terapia. Oferece uma visão do que seja o Ser Humano e quais fatores são importantes na análise de suas queixas, fazendo com que possamos melhor compreendê-lo.

Historicamente, a Psicanálise é considerada a primeira delas, uma vez que foi Sigmund Freud o "criador" da figura que hoje conhecemos como psicoterapeuta ou, como chamado naquela abordagem, o analista. Foi o neurologista austríaco que estabeleceu as bases do que chamou de "cura pela fala", um método inovador de abordar e tratar pacientes com síndromes de conversão de fundo emocional. Nasceu, assim, a psicoterapia.

Com o passar dos anos, novos modos de compreensão do ser humano foram surgindo. A influência cada vez maior de métodos científicos baseados na experimentação e na transposição de modelos de comportamento animal para decifrar os seres humanos ganharam corpo, e culminaram no que primeiramente se estabeleceu como Behaviorismo Radical, de Burrhus Skinner. É dele que se desenvolveram e aperfeiçoaram as técnicas aplicadas pelas atuais abordagens da Análise do Comportamento e da Psicologia Cognitiva.

Já a chamada "terceira força" em Psicologia é a Humanista, tendo como precursor o psicólogo americano Carl Rogers. Defendia Rogers que nós humanos possuímos, naturalmente, uma tendência a buscar padrões cada vez mais elevados de vida, e que o papel do terapeuta é de, em conjunto com seus clientes, "eliminar barreiras" a fim de que consigam atingi-los. Padrões estes que se ligam a estados superiores de ajustamento emocional, não necessariamente mais "altos" em termos sociais.

A partir deste brevíssimo resumo, se a cada abordagem pudéssemos atribuir uma palavra para defini-las, particularmente creio que teríamos os seguintes pares: Psicanálise - Inconsciente; Comportamental - Comportamento; Cognitiva - Pensamentos; Humanista - Potência. No momento, o que nos importa é que, para a Abordagem Existencial, a palavra-chave é: SENTIDO.

Podemos pensá-lo, primeiramente, em um modelo vetorial, da Física. SENTIDO seria, portanto, "para onde" algo ou alguém se dirige e em que intensidade. As preocupações, demandas, desejos do cliente se voltam para onde ou para quem? São intensas, fracas, difusas? Em segundo lugar, SENTIDO pode ser analisado como "sentir", como "sentimento". Como esta ou aquela situação ou pessoa me faz sentir? Onde essas questões me "tocam"? E por último, SENTIDO pode ser analisado como o significado de algo. O entendimento único da vivência para aquela pessoa em questão, então para os outros. O que significa, na vida do cliente, experimentar esta ou aquela vivência?

Todos estes três aspectos devem ser trabalhados em conjunto por cliente e psicólogo no ambiente terapêutico. Pare um momento e analise as três possibilidades de compreensão do SENTIDO apresentadas anteriormente. Você perceberá que nenhuma delas pode ser definida por um conhecimento prévio do terapeuta a respeito do seu problema. Assim, não cabe ao profissional lhe dizer o que se passa ou o que deve ser feito. É o cliente o único que pode compreender, falar a respeito e, se quiser, tentar definir o que ele mesmo vive. O papel do terapeuta é acompanhar, não à frente, mas ao lado do paciente, o seu caminhar pela busca do SENTIDO.

Por isso, na Abordagem Existencial, é estritamente necessário que o cliente esteja engajado em mergulhar nas questões que o cercam a fim de analisá-las. O profissional irá, muitas vezes, oferecer pontos de vista e análises que o cliente não consegue contemplar. Convidá-lo dizendo, "que tal olhar por esse ângulo?", "o que você enxerga por este outro ponto de vista?". Em outras, poderá mesmo sugerir, a fim de analisar cenários possíveis, que o cliente reflita sobre o que aconteceria tomando esta ou aquela decisão. De toda forma, a terapia nesta abordagem se presta essencialmente a proporcionar ao cliente a maior clareza possível sobre sua situação existencial, a fim que ELE MESMO ESCOLHA seus destinos, de acordo com suas crenças, seus princípios e sua vontade.


Vejamos a imagem que ilustra esse post, chamada Clarividência, do pintor surrealista René Magritte. Objetivamente temos um homem que olha um ovo, mas retrata um pássaro. O que se passa entre o olhar e o significado? Qual o sentido de se observar objetivamente algo e experimentá-lo de um modo particular? Existe certo e errado? É um louco? É um clarividente? Um visionário? Consigo ou posso defini-lo a partir de meu próprio ponto de vista? Quem tem essas respostas?


Boas reflexões a todos!

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